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18 a 25 de Novembro

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Peça rara

Por Lilian Pacce

Dançar ao som de Liza Minelli cantando “New York, New York” e freqüentar o Studio 54 em Nova York, o Maxim’s de Paris, ou o Regine’s, Ton Ton, Mustache, Hippopotamus e Gallery, de São Paulo e Rio, era a rotina das roupas arrematadas para este leilão de peças vintage em prol da Fundação Childhood.

Nossa seleção parte dos anos 60, quando a Bossa Nova surgia no Rio de Janeiro e Vinícius de Moraes e Tom Jobim encontraram a “Garota de Ipanema”. Aquela turma da praia fez história e ali, também, começava a nascer a história da moda brasileira com Casa Vogue, Casa Canadá, Madame Rosita, Dener Pamplona de Abreu e uma série de costureiros que abriram as portas para os badalados estilistas de hoje que vivem sob os holofotes das fashion weeks.
 
Graças ao bom gosto e à generosidade das mulheres que abriram seus tradicionais baús de família para colaborar com a causa das crianças atendidas pela Childhood nos deparamos com verdadeiras preciosidades. Cada cabide que chegava era uma emoção que, espero, você compartilhe com a gente ao folhear este catálogo. Fiquei especialmente tocada com o smoking de paetês de Clodovil e o vestido frente-única preto de Euripinho. Era a história da moda brasileira em minhas mãos.

Euripinho passou rápido, assim como a maioria dos talentos de sua geração. Tudo por causa da Aids, fenômeno devastador da década de 80 que abreviou a carreira de muitos nomes de sucesso como Conrado Segreto, Ney Galvão, o próprio Euripinho e Markito, de quem ele era assistente e herdou brevemente suas agulhas e clientes.

Mas muitas dessas peças atravessaram fronteiras e passearam pelo mundo antes de chegarem aqui. Foram compradas em Saint Moritz ou Mônaco, viajaram em malas Goyard e Vuitton, se hospedaram nos melhores hotéis de luxo e foram testemunhas de encontros históricos. Imagine ter um vestido plissado de lamê prata de Thierry Mugler igual ao usado por Lady Di, a gatinha quase borralheira que virou a princesa que o mundo aprendeu a admirar? E se transformar na mulher-fetiche-futurista com um dos tailleurs de Mugler, que deixam qualquer mulher com curvas mais sinuosas do que as da estrada de Santos?

Que delícia receber tailleurs Chanel que freqüentaram recepções sofisticadíssimas, como um bucólico casamento em estilo garden party nos anos 80, e que estão prontos para ir à próxima cerimônia ou simplesmente a um almoço com as amigas, fazendo uma ótima combinação hi-low com jeans e camiseta. Por falar em casamento, a maioria dos vestidos foi aos mais glamurosos e poderosos já vistos, levando assinaturas como a de Dior, Valentino, Balmain e Armani.

Os anos 80 são ponto alto entre as peças vintage e tendência forte na moda hoje. Não temos nenhuma meinha de lurex pra dançar no Papagaio’s direto da novela “Dancin’ Days”. Mas entre ombreiras e paetês, saias tacheadas e tricôs colados, chegamos ao vestido de alta-costura Yves Saint Laurent – o modelo gipsy preto com lindas rosas vermelhas –, ao romantismo-rococó de Christian Lacroix e às estampas de Versace com sua musa-medusa.
 
Neste garimpo, surgem acessórios prontos pra personalizar qualquer look. Entre fivelas e cintos Chanel e sapatos Charles Jourdan, acho as casquetes pra lá de contemporâneas – femininas e misteriosas ao mesmo tempo –, sem contar as bolsas, verdadeiras jóias de qualquer closet feminino. Não há mulher que abra mão de uma it bag. E não há it bag que supere as clássicas Kelly e Birkin da Hermès. Faça você mesma sua seleção – afinal uma oportunidade desta é tão rara quanto estas peças!

Lilian Pacce

Peça Rara
Lilian Pacce
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